sexta-feira, 20 de maio de 2011

quinta-feira, 21 de abril de 2011

apprivoiser cativar[1]




Criatividade como a capacidade de "encontrar respostas inusitadas, às quais se chega por associações muito amplas". O pensamento divergente entra com a finalidade de produzir diversas soluções possíveis. No pensamento divergente avança-se para muitos lados. Tão logo seja necessário, ele muda de direção e leva com isso a uma pluralidade de respostas...

                                                                                                                    Guilford


Só conhecemos bem o que cativamos. Cativar significa criar laços, laços entre eu e o outro, entre eu e a materialidade oferecida no processo criativo - ligar o exterior e o interior (imaginário). A troca entre esses elementos se aproxima de uma espiral, que possibilita ver a mesma imagem operadora em diferentes modos de representação.


[1] Tradução de Dom Marcos Barbosa para o verbo “apprivoiser” [cativar], que significa literalmente domesticar, domar, amansar, e figuradamente familiarizar, civilizar, ou ainda refrear(se), conter(se, abrandar(se). – José Ronaldo Faleiro.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Béatrice Picon-Vallin - O teatro e as novas tecnologia

No próximo dia 09/04 (sáb), Béatrice Picon-Vallin, escritora, pesquisadora e uma das grandes pensadoras do teatro moderno, ministrará uma palestra sobre as “Artes do espetáculo e novas tecnologias” no Cabaré dos Novos, Teatro Vila Velha, às 16h, com entrada franca.

Na ocasião, Béatrice discutirá a utilização de novas tecnologias na cena teatral, desde as primeiras décadas do século XX até a contemporaneidade, compreendendo estas inovações em face tanto da personalidade do artista, quanto do contexto político, social e pessoal no qual ele vive (ou viveu); além do próprio contexto técnico das invenções tecnológicas, que modificam o ambiente da vida e da criação artística.

As novas tecnologias serão também abordadas no âmbito das alterações efetivadas nos processos de criação, e nas modificações propostas ao público, na medida em permitem aos espectadores ver de outro modo, com pontos de vistas diferentes. A investigação da relação entre teatro e tecnologia, desde as primeiras décadas do século XX até os nossos dias, pode ampliar a compreensão da cena moderna, tanto no que se refere aos intentos dos artistas, quanto acerca das alterações no efeito estético proposto ao espectador.

A utilização das inovações tecnológicas na cena teatral - especialmente o recurso do vídeo - abre possibilidades de levar para o palco cenas impossíveis de serem mostradas em outros tempos. Além do que, as tecnologias digitais transformam os processos de criação, pois a criação coletiva é profundamente modificada pela possibilidade de gravar o trabalho dos atores. Assim, a disciplina investigará as alterações trazidas pela tecnologia em cena sob variados aspectos, e como as novas tecnologias influenciam decisivamente os rumos da cena teatral.

Por: Deolinda Vilhena

O que: Palestra “O teatro e as novas tecnologias” com Béatrice Picon-Vallin”
Quando: Sábado, 09 de abril, 16hs
Local: Cabaré dos Novos - Teatro Vila Velha, Avenida Sete de Setembro, s/n, Passeio Público - 71 3083-4600
Quanto: Entrada Franca

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Lixo Extraordinário

A beleza do documentário está sem dúvida no poder transformador da arte, capaz de alterar não só a realidade de algumas das pessoas envolvidas, mas principalmente a visão de mundo que elas tinham, até então. Embora sem desfecho, acho importante a discussão que coloca em xeque se realmente o trabalho é benéfico ou não para aquele grupo e o que fazer agora com os desejos despertados. Indescritível a emoção daquelas pessoas no sentido de autoralidade, diante do resultado de seus esforços, se vendo capazes, especiais. E na dor, do não querer mais voltar...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Procurar, trocar, intercambiar, transformar - verbos essenciais ao teatro






Mi boca quiere nombrar ese poder, hace aspavientos, balbucea
y no pronuncia nada.
                                                                   Jose Watanabe



O silêncio que precede a ação; sons da memória, cores e texturas que se alimentam do espaço que rodeia o ator, da imobilidade que é ponto de partida para a ação; um ritmo que convoca uma personagem; gestos que cortam o espaço, preenchidos de presença, domínio e precisão; objetos que agem sobre os atores, que denotam paixão; imagens que só podem surgir da interação da musicalidade e do objeto como prolongamento desses corpos – reflexos da pesquisa de um grupo teatral.

Na última quinta-feira, dia 16 de setembro, alunos e professores da Escola Teatro tiveram a oportunidade de presenciar as demonstrações de trabalho “A rebelião dos objetos” e “Trabalho a partir do silêncio”, respectivamente, dos atores Ana Correa e Julián Vargas do grupo peruano Yuyachkani, que compartilharam com o público do Teatro Martim Gonçalves, pequenas células de investigação do seu processo criativo.

Codificando diferentes princípios de criação, os atores organizam suas fontes e as ferramentas de trabalho descobertas. Uma pulsação segue num crescendo constante até retornar ao silêncio inicial, mas o corpo continua vibrando; objetos ganham dramaticidade; a ausência se converte em um elemento de construção de imagens. A concepção poética de cada cena, a gestualidade de cada personagem, o efeito cênico provocado, nasce dessa relação dos atores com o teatro como uma construção cultural. Polindo sua arte, eles nos revelam aos poucos, através das metáforas criadas, a experiência que vão acumulando ano após ano - uma vida de grupo aberta para a troca, para uma aprendizagem constante.

O desapego ao naturalismo se revela na equivalência como princípio, o contrário da imitação. Somos sugados por suas ações, seus corpos nos convidam a penetrar na história de seu país. Suas motivações pessoais, seu processo de investigação, o acúmulo das diferentes experiências e lugares por onde passaram, nos chegam por imagens suscitadas através de textos, músicas e poemas, por uma presença simbólica que remete a muitas ausências.

O Grupo, que busca uma relação sensível com o espectador, com temas que tocam a sua realidade e reverberam em diferentes contextos, apresentou no III Festival Latino-Americano de Teatro da Bahia (FILTE) seis espetáculos, seis demonstrações de trabalho, além de participar de encontros com outros grupos, pesquisadores e diretores de teatro.  Atuantes na cena teatral há 40 anos, eles abordam em seus trabalhos questões culturais, sociais, religiosas e políticas do seu país. O Yuyachkani tem trazido sua larga experiência para as edições desse Festival, evento realizado pelo Oco Teatro Laboratório. 

O trabalho desses atores reafirma o que sugeria Piaget, que a aprendizagem é “um processo de assimilação progressiva do espaço ao redor do corpo”. Um espaço prenhe de memória, objetos, musicalidade... Essa assimilação do espaço que é transformado, ou devorado, é uma das prioridades desse corpo atuante que se estende pelo seu entorno, pesquisando sua memória social.

A realização desse Festival, como outros que vem acontecendo em Salvador,  parece um momento ideal para que possamos refletir sobre a relação da Universidade com a comunidade teatral. Considero de extrema importância  uma maior interação universidade-grupos teatrais, acompanhada de uma reflexão sobre o “fazer teatral”, seus conceitos e procedimentos nas suas mais diversas formas.

Parabenizo o Oco Teatro Laboratório pela realização dessa terceira edição do Filte Bahia 2010 que por 11 dias possibilitou ao público de Salvador assistir a espetáculos com diferentes estéticas, além de participar de uma série de atividades de formação realizadas na programação paralela como oficinas, encontros, rodas de conversa, palestras, demonstrações de trabalho, lançamentos de livros e revistas de teatro, e à sensível homenagem prestada aos 40 anos do Grupo Yuyachkani por Eugênio Barba e Julia Varlei, atriz do Odin Teatret.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

III FESTIVAL LATINO-AMERICANO DE TEATRO DA BAHIA


Acontece entre os dias 9 e 19 de setembro a 3ª edição do FilTE Bahia 2010, que leva 20 espetáculos internacionais e 12 nacionais a 11 espaços de Salvador. Entre os convidados especiais deste ano estão o dramaturgo Eugenio Barba, o Grupo Lume (de Campinas) e o Odin Teatret (da Dinamarca). Já o peruano Yuyachkani será o grande homenageado pelos 40 anos de carreira: o grupo apresenta sete espetáculos, nove demonstrações de trabalho, uma conferência e três encontros com outras companhias e artistas do teatro mundial no projeto "Mostra Yuyachkani". Onde: Teatro Vila Velha (Palco Principal, Cabaré e Salas de Ensaio), TCA (Sala Principal e Sala do Coro), Teatro Martim Gonçalves, Sesc Pelourinho e Espaço Cultural Barroquinha (consultar programação no site do evento). Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia). Alguns espetáculos são gratuito.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

FESTA DA BOA MORTE é oficializada como Patrimônio Imaterial da Bahia


O Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) iniciou os estudos que fundamentaram o dossiê final para o registro da Festa da Boa Morte no Livro de Registro Especial de Eventos e Celebrações, tornando a manifestação oficialmente um patrimônio imaterial da Bahia. Os estudos e o dossiê receberam aprovação do Conselho Estadual de Cultura (CEC) e agora a festa passa a integrar um lugar no Livro de Registro Especial de Eventos e Celebrações do Estado da Bahia.
A Irmandade da Boa Morte foi criada no século 19, composta por mulheres negras movidas pelo anseio de liberdade, todas católicas, detentoras do poder por terem posses no âmbito da sociedade colonial, patriarcal e escravista. Tinham por objetivo a devoção a Nossa Senhora, assim como resgatar mulheres negras escravizadas na Bahia, pagando as cartas de alforria, oferecendo proteção e encaminhando fugitivos aos quilombos.
Pesquisa do Ipac registra que em 1820 a Irmandade da Boa Morte se instalou em Cachoeira – cidade hoje tombada como patrimônio nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) –, vinda de Salvador, fugindo da perseguição impetrada pelo general Madeira de Mello às irmandades religiosas negras na capital baiana.
A Festa da Boa Morte acontece entre os dias 13 e 17 de agosto. Antecedendo às celebrações, é feita a eleição da comissão da festa do ano seguinte e são realizadas a ‘esmola geral’ e a ‘condução da santa’ de volta para a sede da irmandade, após ter ficado durante todo o ano sob os cuidados da provedora.
Em 13 de agosto acontecem a missa e a ceia pelas irmãs mortas. Nesse dia, o branco simboliza o sentimento pela memória às irmãs fundadoras da irmandade. No segundo dia são realizadas a procissão e a missa em louvor à dormição de Nossa Senhora da Boa Morte. E no terceiro acontece o ápice das celebrações: as irmãs saem em procissão após a missa para louvar a assunção de Nossa Senhora da Glória.
A irmandade celebra a Boa Morte e Glória de Nossa Senhora com muita comida e samba-de-roda, prolongando por mais dois dias, quando é servido o cozido e o caruru para os fiéis e amigos de Cachoeira.